Após uma sequência de quedas, o dólar fechou as negociações abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde março de 2024 na tarde de segunda-feira (13).
Com a moeda americana a R$ 4,97 em meio a guerra do Oriente Médio, especialistas ouvidos pela CNN destrincham sobre a tendência da cotação para as próximas semanas.
Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain, avalia que esse patamar inédito após dois anos reflete um enfraquecimento da moeda norte-americana ao longo de 2025 para 2026 – o que deve continuar nas semanas subsequentes.
Na sua visão, o patamar mais plausível por enquanto é de uma moeda americana entre R$ 4,90 e R$ 5,00. Para 2027, o cenário tende a ser de um dólar a R$ 4,80.
“Em um eventual fim da guerra, o dólar pode continuar enfraquecido. Apesar de ser uma moeda de proteção, o fluxo de capital para o Brasil tende a continuar diante do diferencial de juros. Ou seja, pelo menos por enquanto, não há motivo de reversão desse cenário”, avalia.
Para Virgílio Lage, especialista da Valor Investimentos, uma cotação justa deve ser em torno de de R$ 5,20 devido a volatilidade de um ano eleitoral como 2026. Contudo, o dólar pode buscar o patamar dos R$ 4,80 num curto prazo se o Brasil continuar atrativo aos olhos estrangeiros.
Os especialistas avaliam que esse movimento acontece por um conjunto de fatores – ou também por uma questão de tempo. Em 2025, o dólar perdeu 11% ante o real. A tendência se manteve nos primeiros meses de 2026, com recuo de até 6% até o início do conflito no Oriente Médio, no fim de fevereiro.
“O dólar iniciou o ano na casa dos R$ 6 em 2025 e passou por uma trajetória consistente de queda ao longo de praticamente todo o período”, relembra Santana.
Com o dólar em alta no início do ano passado, foi a mistura entre guerra, insegurança global e juros altos que estimularam o dólar abaixo de R$ 5. Três fatores que, se continuarem, podem influenciar ainda mais nas cotações da moeda.
“Em um cenário de conflito, em que o risco domina o ambiente internacional, o Brasil se destaca por uma relativa estabilidade em meio a juros altíssimos, que remuneram muito bem o investidor”, explica.
Hoje, a taxa básica de juros brasileira, a Selic, está em 14,75%, enquanto os juros reais batem 9,51% – a mais alta do mundo depois da Turquia.
O Copom (Comitê de Política Monetária) voltará a se reunir entre os dias 28 e 29 de abril mas, ainda que a tendência de cortes aconteçam pelas próximas reuniões, o Brasil ainda se destaca nesse quesito.
Os juros expressivos atraem o investidor que busca segurança em um cenário como o conflito entre Estados Unidos e Irã.
Lage explica isso na prática: investimentos dolarizados e a forte entrada de capital estrangeira em bolsas, ações baratas e títulos públicos puxam o real para cima.
“Outro fator importante é que, nas bolsas americanas, os preços das ações de tecnologia não estão atrativos, por conta das altas. Por isso, o Brasil acaba sendo mais vantajoso, principalmente por ser um país com muitas ações voltadas às commodities“, destaca Lage.
O economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, destaca que o fato do Brasil estar distante de questões geopolíticas, também é um detalhe favorável.
“Estamos longe de Rússia, Ucrânia e Irã. Nesse sentido, somos um porto seguro para os investidores”, afirma o especialista. Nessa linha, se fatores como os citados pelos especialistas continuarem, a tendência é que o dólar continue a ceder.
No entanto, as eleições para presidência são conhecidas pela volatilidade. Os três especialistas destacam que riscos fiscais, como gastos governamentais mais altos, podem desbalancear a economia do país – fator que deve pressionar o dólar para cima novamente.










