Uma brasileira afirmou ter sido aliciada para encontros com o bilionário americano Jeffrey Epstein no início dos anos 2000. O relato foi divulgado em uma reportagem publicada pela BBC News Brasil, que investiga possíveis conexões do empresário com o Brasil.
Identificada apenas como Ana, a mulher contou que saiu de casa aos 16 anos para tentar carreira como modelo. Após trabalhar com uma agência no Sul do país, ela recebeu a proposta de se mudar para São Paulo, onde teria mais oportunidades profissionais.
Segundo o relato, uma mulher ligada ao meio da moda — chamada na reportagem por um nome fictício — ofereceu moradia e trabalho na capital paulista. Ao chegar à cidade, Ana afirma que teve seus documentos retidos e foi informada de que havia contraído uma dívida relacionada à passagem aérea e a um book fotográfico.
Alguns dias depois, ela diz ter descoberto que não havia trabalhos como modelo e que, na verdade, estava sendo direcionada para a prostituição.
Encontros com Epstein no Brasil
De acordo com a reportagem da BBC, Ana afirmou que um dos clientes apresentados a ela foi Jeffrey Epstein, que anos mais tarde seria acusado pelas autoridades americanas de manter uma rede de exploração sexual envolvendo meninas menores de idade.
Ela disse que conheceu o bilionário em um hotel de luxo na capital paulista e que também participou de um jantar e de uma festa com ele na cidade. Posteriormente, teria viajado para outros países para encontrá-lo.
O relato é considerado relevante porque, segundo a reportagem, é a primeira vez que uma mulher afirma ter sido recrutada no Brasil para encontros com Epstein.
Viagens e visto para os Estados Unidos
Ainda segundo Ana, foi providenciado para ela um emprego de fachada como modelo, o que possibilitou a obtenção de um visto para viajar aos Estados Unidos no início da década passada.
A reportagem afirma que o visto estava associado a uma agência de modelos ligada ao francês Jean-Luc Brunel, apontado por investigações como um dos principais intermediários na rede de recrutamento de jovens mulheres para Epstein.
Ana também relatou que a mulher responsável por levá-la a São Paulo teria cobrado US$ 10 mil de Epstein pelos encontros.
Arquivos e documentos do caso
Segundo a BBC News Brasil, parte do depoimento apresentado por Ana foi comparada com documentos e registros ligados às investigações do caso Epstein divulgados pelas autoridades dos Estados Unidos.
Algumas das datas e informações citadas pela brasileira coincidem com registros presentes nesses arquivos, incluindo menções a viagens e mensagens trocadas por pessoas próximas ao bilionário.
Entre elas está Ghislaine Maxwell, condenada nos Estados Unidos em 2022 por recrutar adolescentes para abuso sexual.
Investigação no Brasil
Após a publicação das reportagens, o Ministério Público Federal abriu uma investigação para apurar se existiu uma rede de aliciamento de mulheres no Brasil ligada a Epstein.
De acordo com especialistas ouvidos pela BBC, situações como a descrita pela brasileira podem, em tese, ser enquadradas como tráfico de pessoas para exploração sexual, dependendo da comprovação de elementos como engano, coerção ou retenção de documentos.
O caso segue sob análise das autoridades. Jeffrey Epstein morreu em 2019, em uma prisão de Nova York, enquanto aguardava julgamento por novas acusações relacionadas à exploração sexual.










