Home / Últimas Notícias / Câmara aprova projeto que define padrões mínimos de cacau para chocolates

Câmara aprova projeto que define padrões mínimos de cacau para chocolates

Câmara aprova projeto que define padrões mínimos de cacau para chocolates

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (17), um projeto de lei que estabelece regras para a composição e a rotulagem de produtos derivados de cacau, como chocolates e cacau em pó. O texto determina que o percentual de cacau deverá ser informado na parte frontal das embalagens, ocupando ao menos 15% da área, com caracteres legíveis.

A proposta aprovada é um substitutivo apresentado pelo relator, o deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), ao Projeto de Lei 1769/19, de autoria do Senado. Como sofreu alterações na Câmara, o texto retornará ao Senado para nova análise.

O substitutivo define conceitos relacionados aos derivados da amêndoa do cacau utilizados na fabricação de produtos. Entre eles, a massa ou liquor de cacau, obtida pela moagem das amêndoas torradas; a manteiga de cacau, que corresponde à fração gordurosa extraída dessa massa; e os sólidos totais de cacau, formados pela soma da manteiga com os sólidos secos desengordurados.

O texto estabelece parâmetros mínimos de composição. Para chocolates em geral, mantém a exigência de pelo menos 35% de sólidos totais de cacau, sendo 18 pontos percentuais de manteiga de cacau e 14 pontos percentuais de sólidos isentos de gordura. Também fixa um limite de até 5% para a adição de outras gorduras vegetais autorizadas.

No caso do chocolate ao leite, o projeto prevê um mínimo de 25% de sólidos totais de cacau e 14% de sólidos de leite ou derivados, alinhando-se às normas da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). 

Já o cacau em pó passa a ser definido como o produto obtido da pulverização da massa de cacau, com pelo menos 10% de manteiga de cacau e no máximo 9% de umidade.

A proposta também cria a categoria “chocolate doce”, caracterizada por conter no mínimo 25% de sólidos totais de cacau, sendo 18 pontos percentuais de manteiga de cacau e 12 pontos percentuais de sólidos isentos de gordura.

Estudo do Cena (Centro de Energia Nuclear na Agricultura), vinculado à USP (Universidade de São Paulo), analisou 211 amostras de 116 marcas de chocolate em barra vendidas no país. A pesquisa indicou que produtos classificados como “meio amargo” apresentavam proporções de cacau e açúcar semelhantes às de chocolates ao leite e branco, apesar de atenderem ao mínimo de 25% de sólidos de cacau.

O projeto prevê sanções para empresas que descumprirem as regras, conforme o Código de Defesa do Consumidor e a legislação sanitária. As medidas passam a valer 360 dias após a publicação da lei.

Alta da commodity

O mercado internacional de cacau tem registrado forte alta nos preços da commodity. As cotações, que historicamente variavam entre US$ 2 mil e US$ 3 mil por tonelada, superaram a marca de US$ 11 mil e, agora, voltaram a patamares próximos de US$ 3 mil.

A elevação começou a ser precificada ainda em 2023, com a atuação do fenômeno climático El Niño, que trouxe condições mais secas e quentes para regiões produtoras relevantes, como Costa do Marfim e Gana, responsáveis por parcela significativa da produção global.

O cenário climático adverso se somou a fatores estruturais do setor, como o envelhecimento das plantações, já que os cacaueiros tendem a perder produtividade após cerca de 30 anos, a incidência de doenças virais e o baixo nível de investimentos na renovação das lavouras, especialmente na África Ocidental. Esse conjunto de fatores contribuiu para um déficit no balanço global da commodity.

O aumento dos custos da matéria-prima teve impacto direto na indústria de chocolates e derivados, levando empresas, em alguns casos, a reduzir a produção ou ajustar seus portfólios de produtos, reduzindo a proporção de cacau na composição.

Read More

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *