O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil avançou 1,1% no primeiro trimestre de 2026, segundo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A analista de economia Lucinda Pinto destaca que o desempenho surpreendeu parte dos economistas e colocou o país em uma posição de destaque no cenário internacional.
“É um crescimento forte para um país que tem uma taxa de juros tão alta e por tanto tempo”, observou a analista ao Bastidores CNN desta sexta-feira (29).
Lucinda comparou o desempenho brasileiro com países que também divulgaram seus resultados do primeiro trimestre: “Chama a atenção que nosso crescimento coloca o Brasil muito bem posicionado”, apontou Lucinda.
O Brasil ocupou a terceira posição no ranking de crescimento econômico, ficando atrás apenas da Coreia do Sul e da China, que tiveram crescimento de 1,7% e 1,3%, respectivamente.
A analista chama a atenção para o fato de que tanto a Coreia do Sul, com taxa de juros de 2,5%, quanto a China, com 3%, operam com juros significativamente mais baixos do que o Brasil.
O dilema entre estímulo fiscal e taxa de juros
A analista explicou que dois fatores principais sustentaram o crescimento: o forte crescimento do crédito e o suporte fiscal do governo. “O impacto do estímulo fiscal que o governo tem concedido talvez continue impactando o crescimento, a capacidade das famílias de consumir”, avaliou.
Por outro lado, esse mesmo estímulo pressiona a inflação, obrigando o Banco Central a manter os juros em patamares elevados. “A gente está vendo ali duas forças, uma quase que anulando a outra sobre a economia”, resumiu Lucinda Pinto.
Com base nesse desempenho, o FMI (Fundo Monetário Internacional) indicou que o Brasil deve retomar a posição de décima maior economia do mundo. No ano passado, o país havia sido ultrapassado pela Rússia e pelo Canadá.
Para o ano corrente, o FMI projeta crescimento de 1,9% para a economia brasileira, acima da projeção anterior de 1,6%. Se o ritmo se mantiver, o Brasil poderá alcançar a nona posição entre as maiores economias do mundo já em 2026.
Destaques por setor
O setor agropecuário registrou expansão de 2% no período, mantendo-se como principal motor da economia brasileira. Lucinda, no entanto, ponderou que o ritmo foi ligeiramente inferior ao observado no ano anterior. “Esse ano não foi tão pujante assim a expansão do agro”, afirmou.
A indústria cresceu 1%, enquanto o setor de serviços avançou 0,5%. Esse resultado, segundo a analista, pode sinalizar os primeiros efeitos da taxa de juros sobre a economia, uma vez que o setor é fortemente movido pelo consumo.
O consumo das famílias também se destacou, com crescimento de 1%, sustentado em grande parte pela expansão do crédito. “As famílias se endividaram bastante”, explicou a analista, ressaltando que o impulso dos empréstimos tomados no período ajudou a sustentar esse resultado.
Já o consumo do governo, que mede os gastos da administração pública, apresentou alta mais modesta, de 0,4%, abaixo do que se esperava.
A taxa de investimentos, que mede a capacidade do país de expandir sua infraestrutura e setor produtivo, chegou a 16,5%, ainda considerada baixa pelos analistas.










