O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quinta-feira (16) que o Irã concordou em não possuir armas nucleares e em entregar seu “pó nuclear”, termo que ele usa para se referir ao estoque iraniano de urânio altamente enriquecido.
“Pó nuclear” não é um termo conhecido na indústria de energia nuclear, e especialistas dizem que a maneira como Trump e seu principal negociador, Steve Witkoff, têm falado sobre o enriquecimento de urânio levanta dúvidas sobre o quanto eles realmente entendem dos detalhes técnicos.
Desde as negociações nucleares entre Washington e Teerã em fevereiro, Witkoff, um ex-incorporador imobiliário que tem liderado as negociações juntamente com o genro de Trump, Jared Kushner, tem feito afirmações que, segundo especialistas, revelam uma compreensão igualmente frágil do assunto.
O urânio precisa ser enriquecido para gerar uma reação nuclear em cadeia suficiente para a produção de armas ou energia.
Esse elemento é abundante na crosta terrestre, mas a maior parte dele (cerca de 99%) é o isótopo urânio-238, relativamente resistente à divisão.
Uma reação em cadeia requer o isótopo urânio-235, que possui um número ímpar de nêutrons, tornando seu núcleo mais fácil de ser dividido.
Para ser usado como combustível em reatores nucleares ou para fabricar uma arma nuclear explosiva, o urânio é “enriquecido” para aumentar a concentração de urânio-235.
Diferentes níveis de enriquecimento têm usos e significados estratégicos muito distintos.
Desde que Trump se retirou do acordo nuclear com o Irã em seu primeiro mandato, o Irã vem enriquecendo seu urânio cada vez mais próximo do grau necessário para armas nucleares.
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